Vida Cristã

“Santidade Feminina – A devoção das jovens cristãs” por Mary Beeke – Parte 2

Fonte da imagem: Pinterest

No início deste texto, vimos o Salmo 19. Agora vejamos o que ele nos ensina: Ele nos fala da verdade da Palavra de Deus que converte a alma, faz do simples, sábio, alegra o coração e ilumina os olhos. Ela é pura, doce e valiosa. João 8.32 nos diz: “e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. Filipenses 4.8: “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento”.

E agora, como vivemos essa verdade? Jesus resumiu todo o velho
testamento, a lei e os profetas, pelo simples mandamento: “Amar a Deus
acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. O Espírito Santo
trabalha o Seu amor em nossos corações, tanto é que quanto mais nós estudamos a
Palavra de Deus, e meditamos nela, e oramos a Ele, mais nós O amamos. Esse amor
revela-se nos crentes através do fruto do Espírito, o qual cresce à medida que
andamos com Deus através dos caminhos da vida. Gálatas 5.22-23 diz: “Mas o
fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade,
fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há Lei.”.
Vamos olhar para cada uma delas.

O que é que tem nos frutos e que todos nós gostamos? É simples,
bonito de se ver e divertido para comer. É um presente de Deus para nós, para
nutrir nossos corpos. O fruto nos dá força e, isso nos dá alegria.

O fruto do Espírito é assim também, há uma beleza e uma doçura
nele, quando testemunhamos isso nos outros, assim como quando isso é
manifestado em nós mesmos. Somos energizados em nossa caminhada cristã, e temos
alegria e paz. Assim como existe uma grande variedade nos frutos, também há
variedade no fruto do Espírito.

O Amor é o primeiro fruto e é o mais importante.
Ele nutre os demais. O amor que Jesus demonstrou na
cruz, morrendo para pagar a dívida de pecadores, é o amor que nos alimenta e
nos abastece, nos movendo para amá-Lo fervorosamente em retribuição e, amar ao
próximo de maneira sacrificial.

A Alegria é muito mais que mera felicidade, com seus altos
e baixos em resposta às circunstâncias da vida. A alegria flui da presença de
Deus em nossas vidas, e é profunda e constante. Alegria para mim parece com um
girassol, seguindo o curso do Sol. Mesmo em tempos de monotonia, nossa alegria
está focada no Filho da Justiça.

A Paz é uma calma abnegada diante do ódio, das oposições e
das tempestades da vida. Nós seguimos o exemplo de Jesus na cruz, que demonstrou
paz e amor aos que estavam em guerra com Ele, orando: “Pai,  perdoa-lhes,
porque não sabem o que fazem”. Temos a segurança que provém do
conhecimento. “Está tudo bem em minha alma, por agora e para a
eternidade.” (Aqui a autora faz
referência à versão em inglês do hino reformado, de número 108 do hinário Novo
Cântico, com letra original de Horatio Gates Spafford, traduzido em português
para “Sou feliz com Jesus meu Senhor, agora e na eternidade”).

A longanimidade (ou
paciência) é a perseverança apesar da adversidade. É o que Jesus demonstrou aos
judeus quando continuamente lhes entregava o evangelho, mesmo quando eles buscavam
oportunidades para capturá-Lo em uma emboscada. E isso é o que Jesus nos mostra
hoje. Nós, em contrapartida, somos pacientes com os outros ao nosso redor,
mesmo quando são pessoas difíceis. Nós devemos dar a outra face. Devemos
suportar com um coração paciente e amoroso.

A mansidão (bondade) e a
longanimidade estão de mãos dadas. A bondade é o pensamento e a inclinação da
cabeça e do coração, e longanimidade é a ação que resulta dessa inclinação.
Você não pode ter um sem o outro. A bondade permeia tudo o que pensamos e
fazemos. Longanimidade é fazer o que é certo e bom, não apenas para mim, mas
muito mais para os outros. A bondade vem de dentro de nós, a longanimidade é
derramada para fora com atos de amor. Isso é demonstrado com palavras e atos. Nós
queremos o melhor para os nossos semelhantes, quer eles mereçam ou não. Porque
nós temos provado o melhor de Jesus, apesar de não merecermos.

(fidelidade) possui duas facetas. Por um lado, colocamos nossa
confiança em alguém além de nós mesmo. Confiamos em Deus com tudo o que há em
nós. Mas também, confiamos na bondade de Deus que há nos outros, e com amor no
coração, ao invés de confiarmos apenas em nós mesmos. A outra faceta da fé é
ser fiel a Deus e aos outros, cumprir com as minhas promessas, fazer o trabalho
com o qual me comprometi, me sacrificar pelo outro, ser um amigo confiável, e
estar lá quando meu próximo precisar.

Mansidão é mais um desses frutos que dá sabor a tudo o que fazemos. Diz respeito à atitude
de estimar mais aos outros do que a nós mesmos. Não nos vangloriamos ou nos propagandeamos.
Antes, com a consciência de que somos pecadores, nós nos vangloriamos de Deus,
e exaltamos a Ele e ao nosso próximo. Quando somos mansos, somos submissos a
Deus e àqueles que têm autoridade sobre nós. A mansidão flui do senso de quem
somos e de que não merecemos a compreensão e as coisas boas que chegam a nós como
presentes graciosos de Deus. Por isso, gratidão e humildade são inseparáveis.

A temperança ou domínio próprio só pode fluir de um coração controlado por Cristo.
Quando nossa vida está sob Sua autoridade, nós desejamos seguir as Escrituras.
Nós dizemos: “Ó, quanto eu amo Sua lei!”. Nós direcionamos nossa vontade a Ele.
Nós amamos obedecê-Lo, apesar de lutarmos contra isso às vezes. Nós realmente
travamos batalhas contra tudo aquilo que é contrário à Palavra de Deus. Não
fazemos isso por mérito ou legalismo ou pelo louvor de homens; antes, temos
domínio próprio porque amamos o bem, amamos Deus e odiamos o mau. 

Todos estes frutos — amor,
alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e
domínio próprio — têm um propósito: glorificar a Deus. Nós amamos tais
frutos porque eles formam o lindo jardim de Deus —
a igreja. Doces frutos que nos nutrem. E
embora nós lutemos contra a nossa velha natureza às vezes, nós amamos produzir
esse fruto. Cada uma de nós tem forças e fraquezas. Cada uma de nós frutificamos,
algumas mais do que outras. Oremos para que o fruto do Espírito visto em nossas
vidas seja tão doce e belo que atraia outras pessoas para nosso Senhor Jesus
Cristo.

Como você e eu
podemos nutrir mais frutos em nossa vida pessoal? O jeito mais importante,
depois de se submeter a um pastoreio bíblico, é praticando devoções pessoais.
Seu corpo precisa ser alimentado todos os dias. E sua alma também precisa ser
alimentada todos os dias. Inicie seus dias na presença do Senhor. Eis como eu
sugeriria você fazer isso: Levante-se um pouco mais cedo do que o habitual.
Faça uma oração rápida: “Ó, Senhor, ajude-me a glorificá-lo hoje. Ajude-me a
amá-lo mais do que tudo e a amar o próximo como a mim mesmo. Senhor, ajude-me a
fazer o bem e a ser bom. Em nome de Jesus, amém”. Depois disso eu me arrumaria
para o dia, tomaria um banho, comeria, etc. E quando você estiver mais
acordada, passe um tempo dedicada ao Senhor. Comece aos poucos, senão você não
dará conta. Cinco a quinze minutos de uma combinação de leitura da Bíblia,
pausa para pensar ou meditar sobre o que está sendo lido (usar uma Bíblia de
estudos é bastante útil) e orar sobre isso. Pergunte-se: “Como essa passagem se
relaciona comigo? Como posso me beneficiar com esses versículos hoje e para o
resto de minha vida?”. É também uma ótima ideia escrever um versículo pequeno e
significativo num cartão, memorizá-lo, carregá-lo durante o dia e aplicá-lo na
sua vida. Você pode escolher seu próprio versículo ou comprar um daqueles
compilados com um versículo por dia para ficar na sua cômoda ou então baixar um
aplicativo nesse mesmo molde para o seu celular. Lembre-se do propósito:
“Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti” (Sl 119.11). Ore
a Deus por segurança, orientação, pureza e sabedoria. Peça a Ele por Seu amor e
por outras bênçãos. Peça para que todas as coisas sejam de acordo com Sua
vontade e em Seu bendito nome. 

Finalmente, vamos
reunir tudo o que vimos. Depois que você conseguir dizer como o compositor do
hino: “Minha esperança está em nada menos que o sangue e a justiça de Jesus. Em
Cristo, a rocha firme, eu permaneço. Todos os outros solos são como areia
movediça”; depois que seu coração estiver cheio até transbordar de amor por
Deus e por seu próximo e você ver o trabalho de Deus em seu coração na forma do
fruto do Espírito, você, e cada uma de nós, poderá se perguntar, com um coração
cheio de piedade: “Como posso viver plenamente para Deus?”.

Lembre-se dos
dois princípios com que começamos e que devem ser o fundamento de nossas vidas:
bondade e amor. Deus é bom. Deus é bondade pura. Deus é amor. Amar Deus é amar
o que é bom! Vamos amar a Deus e amar a bondade!

Quais habilidades
e forças você tem? Como você pode usar seus dons e talentos para a glória de
Deus? Você pode escolher uma carreira que promova o reino de Deus? Ou que
servirá aos outros? Ou você amará o seu próximo de outras formas? Como você
pode ser uma testemunha de Jesus na escola ou no seu trabalho? Como você pode
dizer às pessoas que encontrar pelos caminhos da vida as boas novas do Evangelho?
Como você amará seu próximo? Como você pode ajudar ao necessitado? Como você
mostrará bondade àqueles com quem você vive e com os de fora? Você ofertará
generosamente na igreja? Você estenderá sua mão para ajudar quando a
oportunidade aparecer? Oportunidades empolgantes esperam por você! Uma vida de
amor e serviço a Deus e ao seu próximo é uma aventura como nenhuma outra.

Será sempre tranquilo e fácil? Não, eu posso prometer-lhe que não. Algumas pessoas se levantarão contra você, mas continue mostrando a elas o amor e a bondade de Cristo. Algumas pessoas a ofenderão, mas peça a Deus por graça para perdoá-las. Você pode ser tentada pelos encantos do pecado, mas a oração e a Palavra de Deus são as armaduras que a protegerão. Algumas pessoas poderão ser cruéis com você, mas assim como Jesus instruiu em Lucas 6, ame seus inimigos. Mesmo que as coisas pareçam escuras, você ainda estará rodeada pela luz e o amor de Deus. O melhor dia de um incrédulo é ainda muito pior que o pior dia de um crente, porque temos Deus em nosso coração, a Bíblia como refúgio, Jesus como Salvador e o céu como lar!

Parte 1 desse texto disponível aqui

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Mary Beeke pic

*Palestra ministrada na Conferência para Jovens Mulheres, na Igreja Congregacional de Campina Grande/PB, em 20 de abril de 2019. Conteúdo cedido pela autora com exclusividade ao site Mulheres Piedosa.

**Mary Beeke é esposa do Dr. Joel Beeke e mãe de Calvin, Esther e Lydia. Ela trabalhou como enfermeira e professora, e tem mestrado em educação especial. Desde 1989 é dona-de casa e esposa de pastor.

***Tradução: Equipe de Tradutoras do MP/ Revisão: Ana Carolina Oliveira e Flávia Silveira

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