Morte

“Preparando-nos para a Morte – Parte 2” por Rev. Christopher W. Bogosh

Fonte da Imagem: Pinterest

A Esperança do Crente na Morte

Agradeça
a Deus que Romanos 6.23 continua e diz: “mas o dom gratuito de Deus é a vida
eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor”. Surpreendentemente, Jesus Cristo
suportou a essência dessa morte tripla na cruz do Calvário como um substituto
para pecadores como nós: Na cruz, ele sofreu a morte física quando “inclinando
a cabeça, rendeu o espírito” (Jo 19.30); Ele suportou a essência da morte
espiritual quando clamou “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt
27.46); e Ele suportou a essência da morte eterna quando “desceu ao inferno”
(cf. Credo Apostólico) “porque meu Senhor Jesus Cristo sofreu, principalmente
na cruz, inexprimíveis angústias, dores e terrores. Por isso, até nas minhas
mais duras tentações, tenho a certeza de que Ele me libertou da angústia e do
tormento do inferno” (cf. Catecismo de Heidelberg, questão nº 44).

Atente-se
a isto: o mistério do evangelho é nossa esperança — nossa única e mais do que
suficiente esperança! O Filho de Deus sem pecado suportou o “salário do pecado”
para que você, querido crente, pudesse ser liberto quando, pela graça, você se
arrepender diante dele e acreditar que somente nele há salvação. Ele carregou
seu pecado enquanto sofria a essência dessa terrível morte tripla para que você
pudesse viver para sempre graças à justiça de Cristo. Paulo resume esse
evangelho maravilhoso em poucas palavras em 2 Coríntios 5.21: “Aquele que não
conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos
justiça de Deus”. Refletindo nisso, o puritano Elisha Coles (1608-1688)
escreveu: “O pecado não poderia morrer a menos que Cristo morresse; Cristo não
poderia morrer sem que se tornasse pecado; ele não poderia morrer, mas o pecado
precisava morrer com ele”.

Por
meio dessa obediência substitutiva de Cristo, você não apenas pode ser salvo,
como pode ter vida eterna: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o
único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3). Em Cristo
você pode ser liberto da morte espiritual e da morte eterna e, mesmo a morte
física, no fim das contas, servirá apenas como uma passagem para a vida eterna.
O prolífico puritano Thomas Watson (1620-1686) escreveu: “A morte rompe a união
entre o corpo e a alma, mas completa a união entre Cristo e a alma”. Em Cristo
você receberá uma vida de alegria, abundância, paz, propósito e satisfação. Ao
suportar o “salário do pecado” por você, Ele transforma a morte em vida — e
vida eterna!

Preparando-se Para Morrer

Como
nós, como verdadeiros cristãos, podemos nos preparar sabiamente para a morte de
forma que possamos ansiá-la enquanto vivemos num mundo repleto de materialismo?

Preparando-se
Espiritualmente

Você
está pronto para morrer? Ou, ainda mais importante que isso, você está reamente
vivo espiritualmente? Se você está vivendo em Cristo, está pronto para morrer
e, embora haja coisas práticas que precisam ser feitas, sua casa está
basicamente em ordem. Se você não está vivendo em Cristo, não está pronto para
morrer.

Querido
amigo, você precisa estar pronto; você precisa nascer de novo. Não há nenhuma
outra maneira de entrar no reino de Deus que não seja pela fé em Cristo como
único meio de salvação. Os puritanos costumavam dizer que a maneira de se
preparar para a morte é praticando-a enquanto ainda estamos vivos fisicamente,
isto é, morrendo para si mesmo, morrendo para tudo aquilo que possa afastá-lo
de Jesus Cristo. Você não está pronto para morrer se ainda se apega a ninharias
e trivialidades deste mundo. Talvez você viva para suas amizades, seu trabalho,
suas possessões, sua riqueza ou seu legalismo; talvez, Deus o livre, alguns de
vocês vivam para o pecado. Independente daquilo para o que você esteja vivendo,
se Cristo não é supremo em sua vida, você está vivendo para ídolos porque os
tem colocado acima dele. Você não está pronto para morrer. Na verdade, você não
está vivendo de verdade, mas pode morrer a qualquer momento! Você está numa
posição extremamente precária e perigosa. Medite nas sinceras palavras de
Robert Murray M’Cheyne: “Se você morre errado da primeira vez, não pode voltar
para morrer melhor uma segunda vez”.

Spurgeon
não mediu palavras ao dizer: “Aquele que não se prepara para a morte é mais do
que um tolo ordinário. É um louco”. Portanto, busque graça para viver como
alguém preparado para morrer temporariamente e como alguém preparado para
morrer a fim de viver eternamente.

A
única maneira de se viver é morrendo diariamente para si mesmo, para sua
própria justiça e para este mundo; viva diariamente para Cristo e segundo a
justiça dele. Não descanse até que possa dizer:
“Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fp 1.21).

Preparando-se de maneira prática

Em
termos práticos, é importante comunicar nossos desejos para um representante
legal designado quanto aos tratamentos médicos que desejamos ou não no caso de
nos tornarmos incapacitados. Não queremos sobrecarregar outros com tratamentos
inúteis, mas também não queremos causar nosso próprio assassinato! Diretrizes
médicas escritas ou verbais comunicadas a um representante legal ajudarão a
prevenir esses problemas. Além disso, todo cristão deveria colocar “a casa em
ordem” de forma prática fazendo um testamento, o qual provê a disposição de
nossos bens terrenos depois da morte, de maneira que glorifique a Deus.

Nesse sentido, é sábio consultar um advogado para garantir que você irá atender às exigências da lei. Um contador ou planejador financeiro também pode aconselhá-lo em como conservar o valor do seu patrimônio, evitar taxas e impostos desnecessários e providenciar o pagamento de suas dívidas, uma vez que é exigido de nós não dever a ninguém: “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma” (Rm 13.8). Por último, com a ajuda do seu pastor, faça planos para seu funeral e enterro. Em termos práticos, faz sentido, financeiramente falando, já deixar pagas coisas como embalsamento, caixão, sepultura e o lote do cemitério, uma vez que fará o custo delas ser bem menor. Um registro escrito desses planos faz com que a vida das pessoas que terão de lidar com tudo fique muito mais fácil. O melhor de tudo é que você poderá influenciar para que seu velório se torne uma ocasião especial de pregação do evangelho para outros, especialmente para aqueles que você mais ama nesta vida. O velório e o caixão de um cristão são um púlpito bem persuasivo. O funeral é uma excelente oportunidade para uma exortação poderosa àqueles familiares e amigos não crentes. Ela pode fazê-los correr em direção a Cristo para salvação, ao mesmo tempo em que pode prover conforto aos crentes em luto, fazendo-os descansar nas promessas de Cristo.

Continua…

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*Esse artigo foi originalmente publicado na revista The Banner of Sovereign Grace Truth, Novembro/Dezembro de 2018, traduzido com permissão do editor.

**Christopher W. Bogosh é o autor de vários títulos envolvendo saúde de uma perspectiva bíblica. Ele é o fundador da Good Samaritan Books, um ministério de publicações dedicado a “informar, transformar e reformar os cuidados médicos”. Chris é membro da Holy Trinity Anglican Church, junto com sua esposa, Robin e seu filho Noah. Chris possui uma mistura única de treinamento médico e teológico, permitindo-lhe envolver-se no mundo altamente técnico da ciência médica, mantendo a fidelidade às Escrituras.

***Tradução por: Rebeca Falavinha Revisado por: Ligian Oliveira e Ana Carolina Oliveira

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